Laudo do Pinheiro é adiado e moradores falam de frustração e desconforto

Líder do movimento SOS Pinheiro, Geraldo Vasconcelos: “os moradores estão sendo massacrados mais uma vez” (Foto: Sandro Lima)

O sentimento é de profunda frustração. Tristeza. Os moradores estão sendo massacrados mais uma vez”. Foi desta forma que o líder do movimento SOS Pinheiro, Geraldo Vasconcelos, classificou a situação após o adiamento da liberação do laudo dos estudos desenvolvidos pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). O Ministério de Minas e Energia (MME) informou no início da noite dessa terça-feira (30) que a apresentação deve ocorrer numa audiência pública no próximo dia 8, em Maceió.

“O Ministério de Minas e Energia (MME) comunica que, com base na Portaria 20, de 11/01/2019, do Ministro de Estado de Minas e Energia, e tendo sido concluídos ontem, 29/4/2019, pela CPRM – Serviço Geológico do Brasil, os estudos para análise das causas do aparecimento de fissuras no solo e de rachaduras em imóveis no bairro Pinheiro, em Maceió/AL, realizará audiência aberta para divulgação do respectivo Relatório da CPRM, no dia 08 de maio, às 9 horas, no auditório da Justiça Federal, situado na Avenida Menino Marcelo, s/n, Serraria, em Maceió-AL”, diz a nota na íntegra.

A nota divulgada pelo MME, no entanto, não explica o porquê do adiamento. As assessorias de comunicação do MME e CPRM foram procuradas pela reportagem, mas também não esclareceram a motivação da mudança.

Os dois órgãos federais já haviam confirmado, na semana passada, que o laudo contendo os estudos realizados no bairro do Pinheiro seriam divulgados no dia 30 de abril. A informação chegou a ser publicada no site oficial do CPRM na última quinta-feira (26). Na oportunidade, especialistas do órgão estavam reunidos analisando as informações colhidas durante as 14 semanas de estudos. Uma reunião na segunda-feira (29) no MME chegou a ser realizada para definir como a apresentação seria realizada. Desde então os órgãos estavam sendo procurados pela imprensa local, mas até o fim da tarde dessa terça-feira não haviam se manifestado.

Vale lembrar que a data de apresentação, 30 de abril, foi garantida pelo CPRM e MME após audiência pública no Senado Federal no dia 21 de março.

Rui Palmeira critica adiamento do laudo: “perplexidade”

Pelas redes sociais, o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), também criticou o adiamento da liberação do laudo.

“Agora há pouco a CPRM entrou em contato com a Prefeitura para dizer que o laudo sobre o bairro do Pinheiro só será divulgado no próximo dia 8 aqui em Maceió. O que nos causa perplexidade e indignação já que havia o compromisso de que esse documento seria publicado no dia de hoje [30 de abril]. Lamentavelmente não será, pelo menos foi a informação que recebemos. Esperamos que no próximo dia 8 os órgãos federais tragam a verdade que é isso que toda a população, sobretudo do Pinheiro e dos bairros adjacentes, querem nesse momento. E claro, já que vai demorar um pouco mais, que no dia 8 o Governo Federal traga possíveis soluções”, esclareceu.

O líder do SOS Pinnheiro, Geraldo Vasconcelos, afirma que o adiamento piora o clima de tensão e angústia entre os moradores e abre margem para fake news.

“E isso gera especulações pelos grupos de WhatsApp. Dizem que o ministro mandou voltar para refazer o laudo… Quer dizer, a informação não chega… Soube através da procuradora do MPF que eles iriam soltar uma nota… Mas o CPRM não explica o porquê do adiamento, não explica o porquê não ter saído o laudo, que estaria pronto, mas não foi entregue. A gente fica aqui e eles lá em Brasília… Eu cheguei a ligar para o gabinete do ministro para saber de algo, para tentar sensibilizar, para que pelo menos explicassem porquê, a que horas, onde. Soube que vai ser em Maceió, mas onde?”, expôs o morador de forma consternada.

O também morador do bairro Sebastião Vasconcelos lamenta o adiamento do laudo. Para ele a população foi deixada “em segundo plano”. Ele reclama também da falta de comunicação por parte do Serviço Geológico do Brasil.

O Ministério Público Federal (MPF) havia expedido recomendação na semana passada cobrando a elaboração de um plano de comunicação para informar a população de como seria a divulgação do relatório. O órgão informou à reportagem que apesar do adiamento, como houve interlocução entre o MME e o MPF não haverá ajuizamento de ação.

“Estamos acompanhando. As providências vêm sendo tomadas. A recomendação foi uma delas. Houve dilatação do prazo até o término da reunião de ontem [segunda-feira, 29]. Eles não responderam ontem, mas não foi preciso ajuizar uma ação, porque eles responderam hoje [terça-feira, 30]. A todo tempo eles mantiveram contato com o MPF. O objetivo é que a população seja informada”, afirmou o MPF por meio de assessoria de comunicação.

FGONTE:TRIBUNAHOJE