O desastre que queimou a Chapada dos Veadeiros e uniu um povo

O céu anunciava na sexta-feira passada o fim dos seis meses de seca na Chapada dos Veadeiros. Mas aquelas nuvens cada vez mais escuras foram só um aviso. As pessoas estavam ansiosas. “Assim que começar a chover, saímos correndo para nos molhar”, antecipava um grupo de voluntárias contra o fogo no centro de operações de Alto Paraíso, a principal cidade da região. O otimismo se espalhava entre as centenas de pessoas – técnicos ambientais, bombeiros, brigadistas, policiais, pilotos e um grande exército de voluntários – exaustos depois de 17 dias de combate. O grande incêndio que devastou 65.000 hectares no coração do Parque Nacional da Chapada estava a caminho de ser controlado. E a chuva, desta vez, apareceu.

Chegou no sábado ao meio-dia e as garotas voluntárias cumpriram com a palavra. Transmitiram ao vivo no Facebook para que todo mundo pudesse vê-las pulando de alegria, encharcadas sob uma chuva que não foi pouca coisa. No refeitório da pousada Alfa e Ômega o primeiro cheiro da terra molhada fazia o proprietário, Luís Paulo Veiga, sorrir antes de continuar com calma sua conversa: “Veio a chuva, o fogo acabou, mas isso não terminou. A chuva não vai dispersar essa união”.

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