CASO BRASKEM

Estudo independente contesta mapa de risco da Defesa Civil em Maceió



Um estudo técnico-científico realizado de forma independente e apresentado em audiência pública na última sexta-feira (8) questiona o mapa de criticidade utilizado pela Defesa Civil em Maceió. A análise sugere a necessidade de revisão das áreas consideradas afetadas pela mineração da Braskem.

O levantamento, iniciado em fevereiro por solicitação da Defensoria Pública do Estado, aponta que a metodologia atual não segue padrões internacionais e pode subestimar zonas de risco. Segundo o coordenador do grupo de pesquisadores, o geólogo Marcos Eduardo Hartwig, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), adotar como critério de risco um deslocamento de solo de apenas 5 mm é tecnicamente inadequado.

O relatório recomenda manter o monitoramento contínuo por meio da tecnologia A-DInSAR e elaborar um novo mapa que indique os níveis de dano nas construções da Zona 01 e de áreas vizinhas.

Durante a apresentação, realizada no auditório do Cesmac, Hartwig mostrou mapas com deformações detectadas entre junho de 2019 e dezembro de 2024 em bairros como Bom Parto e Flexais. Essas localidades apresentam isolamento social, mas não estão contempladas no mapa oficial de realocação. O geólogo destacou que há imóveis com inúmeras rachaduras em locais onde o deslocamento de solo aparenta ser baixo, sugerindo que as movimentações começaram já em 2004, período no qual não havia monitoramento.

No bairro Flexais — que atualmente não está na zona de risco — foram registrados deslocamentos verticais de até 10 mm por ano e horizontais quase duas vezes maiores que o limite adotado oficialmente.

O estudo foi produzido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da University of Leipzig, da UFES, da Leibniz University Hannover e do GFZ – Helmholtz Centre for Geosciences. Entre os autores estão Marcos Hartwig, Magdalena Vassileva, Fábio Furlan Gama, Djamil Al-Halbouni e Mahdi Motagh.

O defensor público Ricardo Melro informou que o documento será encaminhado ao prefeito de Maceió, à Defesa Civil Municipal e a outros órgãos competentes.


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