Economia

Acessibilidade no cotidiano amplia o consumo e fortalece a inclusão



Quando se fala em acessibilidade, é comum imaginar pessoas com deficiência física, visual ou auditiva, ou ainda idosos com necessidades específicas. No entanto, esse conceito é muito mais amplo e está presente em diversas situações do dia a dia — muitas vezes de forma tão natural que passa despercebida.

Exemplos simples ilustram bem essa presença silenciosa: calçados sem cadarço, que facilitam a rotina de quem tem mobilidade reduzida, dificuldades motoras ou está desenvolvendo autonomia, como as crianças; portas automáticas, que auxiliam não apenas cadeirantes, mas também pessoas que carregam objetos pesados; e frutas cortadas e embaladas, que tornam o consumo mais prático e acessível a quem mora sozinho ou tem limitações físicas.

Essas soluções, além de promoverem inclusão, também movimentam a economia. “A acessibilidade não beneficia apenas quem tem alguma limitação física ou mental, ou os idosos. Ela é uma tendência global, presente em todos os segmentos”, afirma a arquiteta Renata Nobile, especialista em projetos que incorporam princípios acessíveis há mais de uma década.

Segundo a profissional, há exemplos cotidianos que mostram essa evolução, como as legendas em vídeos, filmes e programas de TV — que não só ampliam o acesso de pessoas surdas ou com perda auditiva, mas também facilitam o consumo de conteúdo em locais onde o som não pode ser utilizado.

Renata reforça que a atenção à acessibilidade deve ser parte da rotina de profissionais, empresas e famílias. “Ignorar esse aspecto em casa, no trabalho ou em projetos de engenharia pode resultar em acidentes e outros problemas”, alerta.

A tecnologia também tem contribuído para uma vida mais acessível. Comandos de voz em celulares e assistentes virtuais, como a Alexa, permitem controlar aparelhos eletrônicos, fazer pesquisas e operar sistemas de automação residencial — ampliando a autonomia de quem os utiliza.

No universo da beleza, a marca Rare Beauty, criada por Selena Gomez, é exemplo de design inclusivo: suas embalagens foram pensadas para facilitar o uso por pessoas com limitações motoras, sem abrir mão da estética e da funcionalidade. No Brasil, marcas como Natura também adotam medidas acessíveis, como o uso do Braille nas embalagens.

Essas iniciativas se baseiam no conceito de desenho universal, que propõe criar produtos, espaços e serviços utilizáveis por todas as pessoas, independentemente de idade, condição ou habilidade, sem necessidade de adaptações.

Mais do que rampas ou elevadores, a acessibilidade está nas pequenas inovações que tornam o cotidiano mais prático, confortável e inclusivo para todos.


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