Alagoas ocupa a primeira posição no ranking nacional de amputações de membros inferiores relacionadas ao diabetes realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O estado registra, em média, 50 amputações por 100 mil habitantes a cada ano, índice semelhante ao de Sergipe e Piauí e praticamente o dobro da média observada nas demais unidades da federação.
Na última década, o número de procedimentos aumentou cerca de 20% em território alagoano. A maior parte dos pacientes submetidos às amputações tem mais de 50 anos, e aproximadamente 70% dos casos envolvem homens. Especialistas associam esse cenário à maior incidência de fatores de risco, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e menor procura pelos serviços de saúde para acompanhamento preventivo.
Um dos principais agravantes é o chamado pé diabético, complicação provocada pela diabetes que pode causar feridas de difícil cicatrização e evoluir para infecções graves. Estima-se que cerca de cinco mil alagoanos convivam atualmente com esse quadro, que representa uma das principais causas de amputações evitáveis.
Para enfrentar o problema, Alagoas conta com a Casa Fecha Feridas Professor Isaac Soares de Lima, unidade vinculada à Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), especializada no tratamento de pacientes com pé diabético e úlceras vasculares. O serviço realiza aproximadamente 500 atendimentos por mês e busca reduzir a necessidade de amputações por meio de diagnóstico precoce e tratamento especializado.
Segundo o angiologista e cirurgião vascular Guilherme Pitta, pelo menos metade das amputações poderia ser evitada com o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, capacitação das equipes para identificação precoce das lesões e encaminhamento rápido aos serviços especializados. Para o especialista, a deficiência na rede básica de atendimento é um dos fatores que contribuem para os elevados índices registrados no estado.
Além do impacto físico, as amputações estão associadas a um prognóstico preocupante. Dados apresentados por especialistas indicam que cerca de 50% dos pacientes amputados em decorrência do diabetes evoluem para óbito em até dois anos após o procedimento, enquanto parte significativa também enfrenta novas amputações nos anos seguintes.
O fortalecimento da prevenção, com controle adequado da glicemia, acompanhamento médico regular, inspeção diária dos pés e acesso ágil aos serviços de saúde, é apontado como a principal estratégia para reduzir complicações e preservar a qualidade de vida das pessoas que convivem com a doença.

