Alagoas está entre os estados brasileiros que apresentam crescimento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com índices classificados em níveis de alerta, risco ou alto risco. O cenário foi apontado pelo mais recente Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na quinta-feira (27).
Além de Alagoas, Mato Grosso e Roraima também apresentam, simultaneamente, incidência elevada nas últimas duas semanas e tendência de crescimento no longo prazo.
No estado alagoano, o avanço dos casos ocorre principalmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Os dados analisados correspondem à Semana Epidemiológica 33, entre os dias 16 e 22 de agosto.
Segundo a Fiocruz, ainda não há resultados laboratoriais suficientes para determinar qual vírus está diretamente relacionado ao aumento registrado em Alagoas. Considerando o perfil das faixas etárias afetadas e o cenário observado no país, a principal hipótese é de circulação do rinovírus, com possível participação, em menor proporção, do metapneumovírus.
Cenário nacional
O crescimento dos casos entre crianças e adolescentes também é observado em outras regiões do Brasil. No cenário nacional, houve leve aumento das hospitalizações por SRAG na população de 2 a 14 anos, movimento associado principalmente ao rinovírus.
Entre crianças menores de 2 anos, por outro lado, os registros apresentam tendência de queda, acompanhando a redução das internações relacionadas ao vírus sincicial respiratório (VSR). Nas demais faixas etárias, a diminuição dos casos está associada principalmente à menor circulação da influenza.
Outros oito estados apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem tendência de crescimento: Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe.
Entre as capitais, Aracaju, Belém, Boa Vista e João Pessoa apresentam crescimento prolongado e atividade em níveis de alerta, risco ou alto risco. Maceió, entretanto, não aparece entre as capitais classificadas nessa situação.
Vírus respiratórios
Nas quatro semanas analisadas, o VSR respondeu por 38,7% dos resultados positivos para vírus respiratórios, seguido pelo rinovírus, com 38,3%. A influenza B representou 8,2% das detecções, enquanto a influenza A correspondeu a 4,4%. A Covid-19 apareceu em 1,6% dos resultados.
Desde o início de 2026, o Brasil contabiliza 141.009 casos de SRAG. Desse total, 76.126 apresentaram resultado positivo para algum vírus respiratório, enquanto pelo menos 7.392 ainda aguardavam a conclusão dos exames.
A maior incidência da síndrome continua entre crianças de até 2 anos. Já os óbitos relacionados à SRAG concentram-se principalmente entre pessoas com 65 anos ou mais. De acordo com a Fiocruz, os casos graves de Covid-19 permanecem em níveis baixos em todas as faixas etárias.

