O Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA-UFAL) vem ampliando e modernizando sua estrutura de atendimento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Alagoas. A unidade é um dos dois Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) habilitados no estado e recebe pacientes encaminhados pelos 102 municípios alagoanos.
A expansão dos serviços busca reduzir o tempo de espera e ampliar o acesso a tratamentos especializados para pacientes diagnosticados com câncer. Segundo dados apresentados pelo hospital, Alagoas registra uma estimativa de cerca de 5 mil novos casos da doença por ano.
Entre as mudanças implantadas está a ampliação do atendimento de urgência para pacientes oncológicos. O Pronto Atendimento Oncológico passou a funcionar 24 horas por dia, com suporte de equipes de cirurgia, diagnóstico por imagem e laboratório.
De acordo com o superintendente do HUPAA-UFAL, Célio Rodrigues, a ampliação da estrutura foi acompanhada pelo crescimento do quadro de profissionais. Desde 2023, o número de trabalhadores da instituição teria aumentado em quase 50%.
Tecnologia amplia capacidade de tratamento
A estrutura de radioterapia também passou por avanços. Em 2022, o hospital inaugurou um novo acelerador linear, instalado em uma área especialmente construída para garantir a segurança durante os procedimentos.
A tecnologia permite a realização de tratamentos com maior precisão, incluindo radiocirurgias, possibilitando atingir tumores de forma mais direcionada e preservar tecidos saudáveis próximos à área tratada.
Em 2025, a Oncologia do HU da Ufal contabilizou 9.692 procedimentos de quimioterapia e 943 sessões de radioterapia. A unidade também passou a atender pacientes encaminhados pela rede pública estadual, incluindo usuários do Hospital Metropolitano de Alagoas.
O serviço chegou ainda a receber pacientes de outros estados que não dispõem de estrutura própria de radioterapia.
Controle de insumos reduz interrupções
Para evitar que a falta de medicamentos e materiais comprometa os tratamentos, o hospital mantém um sistema de monitoramento de estoques em farmácias e almoxarifados.
Segundo a gestão, mais de 80 mil itens são acompanhados no sistema, permitindo maior previsibilidade nas compras e contribuindo para a redução das suspensões de procedimentos. O hospital informa que a taxa de cirurgias suspensas por falta de insumos chegou a ficar abaixo de 1%.
A instituição também destaca a implantação de sistemas de gestão e prontuário eletrônico, além da participação no desenvolvimento de soluções utilizadas pela rede HU Brasil.
Ampliação do centro cirúrgico
A estrutura cirúrgica do hospital também foi ampliada nos últimos anos. O número de salas em funcionamento passou de quatro, em 2020, para oito atualmente.
A expansão atende principalmente à demanda por procedimentos relacionados ao tratamento de câncer de mama, mas também contempla pacientes com tumores de próstata, bexiga, rim, cabeça e pescoço, colo do útero e trato gastrointestinal.
A equipe médica reúne diferentes especialidades para conduzir os casos e reduzir o tempo de espera por procedimentos. A gestão avalia novas ampliações, incluindo a possibilidade de realização de cirurgias no período noturno e aos sábados.
Atendimento vai além do tratamento médico
O cuidado oferecido aos pacientes oncológicos também envolve profissionais de diferentes áreas. Enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem atuam na assistência contínua, enquanto psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e dentistas integram o atendimento multiprofissional.
O hospital também mantém ações voltadas a populações em situação de vulnerabilidade, incluindo comunidades indígenas e quilombolas. Entre as iniciativas está o acompanhamento especializado de pacientes quilombolas albinos diagnosticados com câncer de pele.
Além da assistência clínica, projetos de humanização e extensão universitária atuam junto aos pacientes durante o tratamento. Entre eles está o Sorriso de Plantão, que leva atividades de acolhimento, arte e interação aos leitos.
Para a direção do hospital, a combinação entre tecnologia, ampliação da estrutura e atendimento humanizado é fundamental para garantir que o tratamento oncológico considere não apenas a doença, mas também as necessidades físicas, emocionais e sociais de cada paciente.

