A Câmara Municipal de Maceió ainda não iniciou oficialmente o recesso parlamentar do meio do ano. A pausa nas atividades legislativas está condicionada à apreciação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e à autorização de um empréstimo de R$ 1,2 bilhão solicitado pela Prefeitura, considerado prioritário pela gestão do prefeito João Henrique Caldas (PL).
Na prática, porém, o Executivo enfrenta resistência dentro da própria base aliada. A votação da proposta foi adiada pela segunda vez nesta segunda-feira (8), após a sessão ser encerrada por falta de quórum. Três vereadores da base governista, apontados como articuladores do esvaziamento da sessão, foram diretamente atingidos por exonerações de seus indicados em cargos comissionados.
As demissões foram publicadas no Diário Oficial de Maceió logo após o encerramento da sessão e atingem mais de 20 cargos ligados aos vereadores Brivaldo Marques (PL), Thiago Prado (PP) e Cal Moreira (PL). Os três parlamentares, embora integrem a base de JHC, teriam contribuído para inviabilizar a deliberação das matérias em pauta.
A medida do prefeito foi vista como um recado claro: o apoio político à gestão será cobrado com lealdade. Aqueles que optarem por se opor aos projetos do Executivo devem, em contrapartida, abrir mão dos espaços que ocupam na administração municipal.
A proposta de empréstimo já havia sido retirada de pauta no dia 3 de julho. Ontem, a justificativa para o novo adiamento foi a solicitação de mais tempo por parte das comissões permanentes para analisar o conteúdo do projeto.
Durante a sessão, o vereador Rui Palmeira sugeriu que a Câmara votasse apenas a LDO, permitindo o início do recesso, e deixasse a discussão sobre os empréstimos para agosto. O presidente da Casa, Chico Filho (PL), ressaltou que os projetos tramitam em regime de urgência, suspendeu temporariamente a sessão, mas, ao retomar os trabalhos, constatou que o quórum mínimo de 18 parlamentares não havia sido atingido — apenas 12 vereadores permaneciam no plenário.

