Parlamentares e Ministério Público denunciam riscos à segurança de torcedores no principal palco do futebol alagoano; Governo promete conclusão das obras até o fim de 2025
Maceió (AL) – O Estádio Rei Pelé, tradicionalmente conhecido como “Trapichão”, vive um dos momentos mais delicados de sua história. Símbolo do futebol alagoano, o espaço esportivo tem sido alvo de denúncias de abandono e precariedade estrutural, o que tem gerado preocupação entre torcedores, autoridades e representantes do Ministério Público.
Durante a final do Campeonato Alagoano, em março deste ano, o presidente da Câmara de Maceió, vereador Chico Filho (PL), percorreu as instalações do estádio e classificou a situação como crítica. “Rampas interditadas, vergalhões expostos, áreas abandonadas. É inadmissível que o torcedor e os clubes sejam tratados com tamanho descaso”, declarou. Ele também criticou o Governo do Estado pela demora na conclusão das reformas, iniciadas há mais de dois anos.
O deputado estadual Delegado Leonam também levou o tema à tribuna da Assembleia Legislativa. Em seu pronunciamento, alertou para o risco de uma “tragédia anunciada” e classificou as intervenções realizadas como “obras fantasmas”, sem avanço concreto. Segundo ele, as estruturas provisórias instaladas no local não são suficientes para garantir a segurança dos frequentadores.
Laudo técnico confirma riscos estruturais
A gravidade das denúncias foi reforçada por um laudo técnico do Ministério Público de Alagoas, elaborado a partir de vistoria realizada em maio. O documento apontou sinais de deterioração, como oxidação de ferragens e desplacamento de concreto, em diferentes pontos do estádio.
Diante do cenário, o promotor de Justiça Dênis Guimarães determinou a suspensão temporária de um processo judicial envolvendo o tema, abrindo espaço para que o Governo do Estado firme um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com metas claras e cronograma definido. A medida envolve ainda a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude (Selaj) e a empresa responsável pelas obras, a Jotabeton Engenharia.
Governo apresenta cronograma e investimentos
Em resposta às críticas, o Governo de Alagoas apresentou um plano de ação para revitalizar o Estádio Rei Pelé. Segundo o Executivo estadual, as obras nunca foram interrompidas e estão sendo executadas por etapas. Entre as ações prioritárias estão a recuperação das rampas de acesso, reforço nas estruturas de concreto e modernização de áreas comuns.
A previsão é de que os principais reparos sejam concluídos até dezembro de 2025. Um investimento de R$ 12 milhões foi anunciado para garantir a durabilidade do estádio pelos próximos 30 anos.
Limitação de público e fiscalização contínua
Enquanto as obras não são finalizadas, o Ministério Público determinou que a capacidade do estádio seja temporariamente limitada. Apenas 15.200 torcedores poderão assistir aos jogos, conforme avaliação do Corpo de Bombeiros. A cada partida, organizadores deverão enviar relatórios detalhados de público e arrecadação em até cinco dias úteis.
Um ícone ameaçado
Inaugurado em 1970 e batizado em homenagem ao Rei do Futebol, Edson Arantes do Nascimento, o Estádio Rei Pelé é o maior palco esportivo de Alagoas e já recebeu partidas históricas de CSA, CRB e da Seleção Brasileira. Hoje, no entanto, o espaço enfrenta o desafio de recuperar sua estrutura e retomar sua condição de orgulho para o povo alagoano.
Enquanto isso, torcedores e autoridades seguem vigilantes, cobrando ações efetivas para que o Rei Pelé volte a ser sinônimo de glória — e não de descaso.

