O Aeroporto Zumbi dos Palmares, em Maceió, passou a contar com uma sala multissensorial voltada ao acolhimento de passageiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A inauguração ocorreu no dia 1º de setembro de 2025 e foi resultado de uma parceria entre o Governo de Alagoas e o Ministério dos Portos e Aeroportos.
O espaço, localizado na área de embarque internacional, funciona 24 horas por dia e foi projetado para oferecer um ambiente tranquilo e adaptado. A sala conta com iluminação suave, música ambiente, almofadas, espelhos, elementos táteis, painéis interativos e até uma área que simula o interior de uma aeronave, com assentos e cintos de segurança. Todos os recursos podem ser ajustados via tablet, permitindo personalização de acordo com as necessidades de cada passageiro.
Durante a entrega, a secretária de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência, Tereza Nelma, destacou que a iniciativa cria um espaço de acolhimento para pessoas neurodivergentes de todas as idades, incluindo ainda uma sala de contenção para momentos de crise. Ela também antecipou que o novo aeroporto de Maragogi já será inaugurado com uma sala semelhante em sua estrutura.
O ministro Silvio Costa Filho ressaltou que os aeroportos devem ser locais acolhedores e lembrou que uma em cada 36 crianças no Brasil está dentro do espectro autista. Ele informou que esta é a décima sala multissensorial do país e que a meta é disponibilizar ambientes assim em todos os aeroportos das capitais brasileiras dentro de 12 meses.
Segundo o ministro, o ambiente aeroportuário pode gerar ansiedade devido ao excesso de estímulos visuais e sonoros. Nesse sentido, as salas multissensoriais oferecem suporte e tornam a experiência de viagem mais acessível e inclusiva.
Alagoas agora é o terceiro estado do Nordeste a contar com essa estrutura, que faz parte do Programa de Acolhimento ao Passageiro com TEA, desenvolvido pelo Governo Federal em parceria com concessionárias de aeroportos. Atualmente, já contam com salas semelhantes os aeroportos de Congonhas (SP), Florianópolis (SC), Galeão e Santos Dumont (RJ), Natal (RN), Recife (PE), Vitória (ES) e Campo Grande (MS).
O autista Lucas Sampaio, um dos primeiros a visitar o espaço, destacou que a sala é essencial como ambiente de autorregulação em momentos de ansiedade ou crise, definindo a experiência em duas palavras: acolhimento e conforto.
Além dessa iniciativa, o Governo de Alagoas, por meio da Secretaria da Pessoa com Deficiência (Secdef), vem realizando ações de letramento inclusivo sobre TEA em 25 municípios, capacitando equipes locais e formando multiplicadores para fortalecer a rede de apoio. O estado também já emitiu 7.555 carteiras de identificação para pessoas com TEA (Ciptea), documento que garante prioridade no atendimento em serviços públicos e privados, principalmente nas áreas de saúde, educação e assistência social.

