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Rede Interestadual de Tráfico de Aves Silvestres é Desarticulada por Ministérios Públicos da Bahia e Alagoas



Os Ministérios Públicos da Bahia (MPBA) e de Alagoas (MPAL) denunciaram o líder e outros 23 integrantes de uma das maiores redes de tráfico de aves silvestres do país. A investigação foi aprofundada após a prisão de Weber Sena de Oliveira, conhecido como “Paulista”, detido em flagrante em janeiro deste ano com 135 pássaros transportados ilegalmente na BR-101, em Itabuna (BA).

Paulista, apontado como chefe do esquema, foi preso preventivamente em setembro, na segunda fase da Operação Fauna Protegida. Agora, ele e os demais envolvidos respondem por crimes como tráfico de animais – incluindo espécies ameaçadas de extinção –, lavagem de dinheiro, receptação qualificada e maus-tratos.

A denúncia revela que a organização criminosa tinha uma estrutura complexa, composta por 14 fornecedores (a maioria na Bahia), cinco receptadores, três transportadores e uma operadora financeira. Paulista não apenas capturava e arrecadava aves, como também organizava o transporte e comandava o fluxo financeiro do grupo.

A investigação apontou que quase R$ 500 mil foram movimentados nas contas de Ivonice Silva e Silva, companheira de Paulista, entre fevereiro e agosto de 2023. Ela recebia valores referentes às “encomendas” – algumas com mais de mil aves – e repassava o dinheiro aos demais integrantes. Parte das transações foi realizada no Rio de Janeiro, envolvendo também Valter Nélio, o “Juninho de Magé”, denunciado por lavagem de dinheiro.

As espécies traficadas incluem estevão, canário, chorão, papa-capim, trinca-ferro, azulão e pássaro-preto. Para capturá-las, eram utilizadas armadilhas e grandes redes capazes de recolher centenas de aves por dia. Alguns lotes chegavam a ser vendidos por até R$ 80 mil. As aves eram mantidas em cativeiros improvisados, sem alimentação adequada, à espera de transporte para estados como Rio de Janeiro e Bahia.

Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), cerca de 90% dos animais capturados não sobrevivem ao transporte devido às condições precárias e ao estresse.

A rota do tráfico identificada pelos investigadores liga o sudeste da Bahia e o nordeste de Minas Gerais ao Rio de Janeiro. Esse trajeto foi mapeado pelo projeto “Libertas”, da Abrampa, que identificou 31 pontos críticos relacionados às apreensões.

A nova fase da Operação Fauna Protegida foi deflagrada em 29 de outubro, com mandados cumpridos na Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A ação resultou em duas prisões preventivas, 17 mandados de busca e apreensão e três prisões em flagrante.

Os promotores envolvidos destacam que as denúncias representam um passo importante para combater o tráfico de fauna no país, reforçando a eficácia da atuação conjunta entre MPs estaduais, polícias ambientais e órgãos de fiscalização. A operação integra a iniciativa nacional “Libertas”, que atua no combate aos crimes contra a fauna em diversos biomas brasileiros.


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